O direito à dimensão existencial nas cidades
Palavras-chave:
política urbanística, projecto, processo, experiência, dimensão existencialResumo
O planeamento das cidades contemporâneas reduz-se na aplicação de normas
urbanísticas em torno de projectos arquitectónicos, que são os instrumentos de
excelência na transformação das cidades.
Em Portugal, a reabilitação urbana é um discurso dominante, nomeadamente nos centros históricos das cidades, que são habitados por pessoas idosas com mais de 65 anos, que vivem nas suas casas há mais de 40 anos e pagam rendas muito baixas, que têm rendimentos muito baixos e vivem em más condições de habitabilidade.
Neste contexto, para a reabilitação destas áreas habitadas e degradadas, são
realizados projectos de arquitectura de acordo com as normas urbanísticas para os edifícios que estão muito degradados. Olhando para os projectos de arquitectura enquanto instrumentos de transformação das cidades, nada nos dizem sobre a dimensão existencial de quem habita nestas casas, que estão cheias de “coisas”, móveis, utensílios, roupas e objectos.
Quando os moradores saem das suas casas para a execução das obras, manifestam comportamentos de desorientação, tristeza, revolta, ansiedade, choro, melancolia, etc. porque o lugar que habitaram vai morrer. Para entender este comportamento manifestado pelos moradores, realizaram-se práticas audiovisuais segundo o método exploratório. Em 2008, começaram as filmagens em torno do quotidiano de uma idosa no Centro Histórico de Évora, que aos 77 anos de idade vai sair pela primeira vez da casa onde nasceu e sempre viveu, para a execução de obras na sua casa.
Em 2012, com esta prática audiovisual em torno desta experiência corporal
enquanto expressão emocional manifestada pela moradora, conclui-se que a cidade contemporânea transforma-se a partir de projectos arquitectónicos vazios que não respeitam e anulam a orientação e a identificação de quem as habita. E neste sentido, é emergente o direito à dimensão existencial nas cidades.
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