VISSICITUDES NÃO-TOTÊMICAS DOS LÍDERES DEMOCRÁTICOS: UMA INTERPRETAÇÃO DO PENSAMENTO DE LACLAU E MOUFFE À LUZ DE MOISÉS E O MONOTEÍSMO
Resumen
Este artigo visa tentar uma interpretação do pensamento político de E. Laclau e C. Mouffe (sobretudo o desta última) a partir de um retorno ao ensaio de Freud Moisés e o monoteísmo (1939). Minha hipótese é a de que neste é possível perceber, ainda que de forma inacabada e pouco sistematizada, o esboço de uma sutil diferenciação conceitual - entre líder totêmico e líder mosaico - que pode vir a ser revelar profícua à compreensão das vicissitudes subjacentes ao que chamaremos de psicologia do líder democrático. Experimentaremos pensar as consequências desta no âmbito do pensamento político contemporâneo de tradição pós-marxista. O artigo se dividirá em três tempos: 1º) passarei sucintamente em revista alguns dos conceitos dos dois autores pós-marxistas que interessam aos presentes propósitos (concepção não-essencialista da política, hegemonia; democracia de consenso, e, sobretudo, antagonismo versus agonismo); 2º) seguindo os caminhos interpretativos sugeridos por dois autores italianos (Zagrebelsky e Bobbio), procurarei demonstrar a proficuidade de se buscar na religião a substancia mesma do conceito mouffeano de democracia; e 3º) com base em um retorno à letra freudiana, procurarei expressar em termos metapsicológicos a estrutura dinâmica, no Eu, das formas não-totêmicas de identificação política.
Palavras-chave: Chantal Mouffe - pós-marxismo – democracia – identificação - psicanálise.
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