Do paradoxo do sacrifício à partilha do ser-em-comum: notas biopolíticas acerca de uma comunidade impossível
Abstract
Buscamos investigar como o conceito de vida é mobilizado no pensamento contemporâneo tendo como fio de Ariadne a crítica biopolítica ao pensamento de Georges Bataille. Temos como ponto de partida o debate de 1983 sobre a crise e dissolução da comunidade e a temática da partilha do ser-em-comum e do comunismo literário, impulsionado pelos textos “La Communauté désœuvrée” e “La Communauté Inavouable” de Jean-Luc Nancy e Maurice Blanchot a partir da obra de Bataille. Investigaremos o contexto do debate e sua ramificação em textos de autores italianos e franceses, como Giorgio Agamben, Roberto Esposito e outros. Como veremos, o conceito de comunidade e de vida estão profundamente implicados, visto que o termo latino communitas é definido etimologicamente como um conjunto de pessoas unidas pelo débito, o munus como um dom-a-ser-dado; em contraste, immunitas, isto é, o que é imune, é o oposto do comum, neutralizando o munus. Bataille conecta o sagrado ao sacrifício, despojando-o da esfera do útil, porém, permanecendo em seu horizonte na tentativa de estabelecer uma verdade do sacrifício como prova da finitude.
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